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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Show no murumbi

No restante da noite, o repertório foi seguido à risca. O show começou em alta temperatura, com Beyoncé surgindo num maiô brilhante e cantando sucessos como "Crazy in Love" e "Naughty Girl". Este início prometia uma grande performance pop, mas logo depois da primeira das inúmeras trocas de roupa a apresentação esfriou. Culpa do excesso de baladas, que dispersaram a atenção do público (as poucas exceções foram a dramática "Broken Hearted Girl" e o medley de "If I Were a Boy" com "You Oughtta Know", de Alanis Morissette).



Outro problema foi o excesso de interrupções. Como boa diva que é, Beyoncé troca de roupas em diversos momentos - dez no total. Na maior parte deles, a troca é rápida. Mas, em outros, a coisa se alonga, e o tempo tem que ser preenchido com outras atrações. Ora são videoclipes no telão, ora são os dançarinos, ora é a banda (a excelente Suga Mama, formada só por mulheres) a responsável por distrair o público enquanto a cantora está nos bastidores. Nenhuma das interrupções chega a ser exatamente ruim, mas o conjunto delas é cansativo.


A coisa só melhorou quando Beyoncé deixou o palco principal e caminhou para o palco secundário, montado no meio do Morumbi. Lá, ela ficou mais próxima do público e deixou a emoção correr solta ("Listen" veio nesse momento). E ali, cara a cara com a plateia, também cantou músicas do Destiny's Child, grupo que a revelou no final dos anos 1990. No meio desse bloco, ela trocou algumas palavras com um fã. Perguntou o nome dele ("Samir", foi a resposta), pediu que ele dissesse o dela ("Beyoncé girl", ele berrou), e então cantou "Say My Name".



O número, obviamente, fazia parte do roteiro, tanto que esteve presente em outros shows. Mas isso não impediu que a cantora se divertisse de verdade com esse contato com a plateia. Tanto que ela alongou bastante os pedidos de palmas e mãos para o ar, e não teve a menor vergonha de abaixar o microfone e deixar o público cantar por ela na balada "Irreplaceable". Faltava pouco para a má impressão do meio do show ser definitivamente esquecida, já que Beyoncé havia guardado seu maior trunfo para o final.


A cantora deixou o palco secundário e desapareceu novamente, para mais uma troca de roupa. Enquanto isso, o telão começava a mostrar diversos vídeos caseiros de pessoas usando maiôs pretos e dançando a mesma coreografia. "Single Ladies", é claro, estava a caminho. A palavra apoteótica pode ser usada sem medo para definir a hora em que Beyoncé começou a cantar seu maior sucesso. "Single Ladies", afinal de contas, já é muito mais que um simples hit: passou para a categoria de fenômeno popular. E foi como fenômeno que é que a música foi recebida no Morumbi.



A cantora ainda voltaria ao palco para o bis, com a balada "Halo". Mas o que valeu a noite foi mesmo "Single Ladies", junto com o grande início com "Crazy in Love" e a emoção de Beyoncé ao se aproximar da plateia no bloco do palco secundário. Daí conclui-se que, quanto mais deixa a influência de Tina Turner aflorar, melhor Beyoncé fica. Sempre que a cantora é mais intensa (em outras palavras, sempre que ela deixa as baladas melosas de lado), é a poderosa figura de Tina que paira sobre o palco.

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